Vulgo Grace - Margaret Atwood

Oi vocês,

O post de hoje é uma colaboração da Kamila do Resenha e Outras Coisas que além de ler o livro, já está assistindo a série. Confira o que ela achou de Vulgo Grace.

Título Original: Alias Grace
Autora: Margaret Atwood
Páginas: 496
Editora: Rocco
Sinopse: Depois de O conto da aia, que deu origem à prestigiada série The handmaid’s tale e alcançou o status de bestseller mais de 30 anos após a publicação original, outro romance de Margaret Atwood vai ganhar as telas, desta vez pela Netflix, e volta às prateleiras com nova capa pela Rocco. Inspirado num caso real, Vulgo Grace conta a trajetória de Grace Marks, uma criada condenada à prisão perpétua por ter ajudado a assassinar o patrão e a governanta da casa onde trabalhava, na Toronto do século XIX. Com uma narrativa repleta de sutilezas que revelam um pouco da personalidade e do passado da personagem, estimulando o leitor a formar sua própria opinião sobre ela, Atwood guarda as respostas definitivas para o fim. Afinal, o que teria levado Grace Marks a cometer o crime? Ou será que ela estaria sendo vitima de uma injustiça?



Baseado numa história real, Atwood nos leva ao Canadá do século XIX, exatamente no ano de 1843, quando Grace Marks, uma empregada doméstica de 16 anos, é acusada de matar seu patrão, Thomas Kinnear, e a governanta (e amante) dele Nancy Montgomery, em cumplicidade com James McDermott, um suposto amante, que também trabalhava na casa. Com o furor sensacionalista de então, a mídia (tipos Datena e Sonia Abrão) deu seu veredicto, assim como o juiz, declarando Grace culpada e sentenciando-a à pena de morte.



Mas, alguns pauzinhos foram mexidos e a pena de Grace foi revertida para prisão perpétua. Justamente a parte que mais interessava a todos simplesmente sumiu. Todos queriam saber como foi o duplo homicídio, mas Grace alegou que tinha se esquecido de tudo. Porém, a mente de Grace era muito mais complexa do que se imaginava e os anos seguintes da jovem foram divididos entre a penitenciária e o manicômio, onde era subjugada de todas as formas possíveis.

“Se todos nós fôssemos julgados por nossos pensamentos, seríamos todos enforcados.”

Até que aparece o dr. Simon Jordan, um jovem norte-americano, bem-nascido, estudioso da mente humana, mas não um médico e sim um psicólogo. Após andanças por parte da Europa, ele se interessa pelo caso de Grace, único até então e resolve incluí-la em seus estudos. Ele também desejava abrir uma clínica psiquiátrica em sua cidade natal. 
E com o dr. Jordan, vamos mergulhar na mente de Grace, em que ela contará sua vida desde o início, que começou lá no Norte da Irlanda, passando pelas casas aonde trabalhou como criada e até chegar na residência do sr. Kinnear, onde sua vida tomaria um rumo impensável. E não podemos nos esquecer de Mary Whitney, personagem muito importante da trama.



Até então, eu só conhecia Margaret Atwood por causa de O Conto da Aia (que desejo muito ler). Vulgo Grace me foi uma grata surpresa. Saber que isso realmente aconteceu dá um ar muito mais margem para discussão, apesar de o desfecho surpreender ao leitor – será que ela realmente matou o casal Kinnear-Montgomery?
Ao mesmo tempo que você ou ama ou odeia a jovem, podemos ver também como era o Canadá naquele tempo, totalmente diferente da nação que conhecemos hoje. O leitor atual dirá que era um país retrógrado, com ideias machistas e misóginas, onde as crianças são postas para trabalhar desde muito cedo e Grace, com apenas 16 anos, já é uma mulher com muita história pra contar. Graças às descrições impecáveis de Margaret, vemos com perfeição como era a moda naquela época – e, naquele tempo, era importante falar de moda porque era ela quem pontuava quem era da alta e da baixa classe.

“Uma prisão não apenas tranca os detidos dentro dela, como mantém fora todos os demais. Sua prisão mais forte é ela quem constrói.”

Se o leitor de hoje for jovem, ele pode se incomodar um pouco com o português extremamente culto usado na tradução. Ora, está se contando uma história que aconteceu há mais de dois séculos, a linguagem também sofreu influência nesse tempo. Eu, particularmente, não me incomodei, mas como eu andei numa semana problemática (inferno astral?), admito que isso me deu um pouco de sono.
Vulgo Grace deve ser lido com atenção redobrada, pois temos dois pontos de vista que se alternam sempre, sem aviso prévio. A história de Grace é contada em primeira pessoa, por ela mesma, mostrando como é um ponto de vista de uma criada (nada muito diferente de hoje, mas com pré-conceitos bem mais estabelecidos), o modo como ela conta sua história é feita sem floreios, sempre indagando diversos conceitos (geralmente machista/misógino) da época (que, vejam só, ainda existem em pleno 2017, quase 18!).
Já o ponto de vista do dr. Jordan é contado em terceira pessoa, mas também mostrando os receios e pensamentos dele. Gente como a gente, ele acabará se encantando pela nossa protagonista. Vale ressaltar também que ele é uma pessoa muito boa para com Grace, um dos poucos que não fez chacota dela nem a via como um monstro enviado diretamente pelo demônio para atiçar a vida das vítimas.

“Homens como ele não têm que limpar a sujeira que fazem, mas nós temos que limpar nossa própria sujeira e mais as deles. Nesse aspecto, são como crianças, não têm que se planejar ou se preocupar com as consequências do que fazem. Mas não é culpa deles, é como foram criados.”

Por fim, recomendo a obra muito satisfeita com o que li sobre Margaret Atwood, uma autora que está na estrada há muito tempo, mas só agora está recebendo seu merecido reconhecimento, com obras que, mesmo sendo escritas anos atrás (Vulgo Grace foi escrito em 1991), têm questionamentos que estão com força total e se encaixam perfeitamente no contexto de 2017.
P.S.: já assisti à série da Netflix e recomendo, muito bem feita, tudo bem ambientado e fiel ao livro, até mesmo as falas são idênticas. Isso se deve, talvez, pela supervisão de Margaret, que acompanhou de perto a produção. Na série, Grace é interpretada magistralmente pela atriz Sarah Gadon (A Nona Vida de Louis Drax; A Jovem Rainha).

Beijinhos, 

16 comentários

  1. Oi Ani!
    Ainda nem li O Conto da Aia e já quero Vulgo Grace tb! hehe
    Essa autora parece ser mt boa, estou curiosa pra tirar minhas próprias conclusões. Mas algo me diz que vou gostar!
    Beijos!

    Mais Uma Página

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  2. OLá!
    Sabe que ontem eu vi na Netflix que tá passando a série, até listei!
    Eu vou ver um pedacinho da série e depois vejo se leio o livro . Pq com o conto de aia fiz isso, dai parei a série e comecei a ler o livro que foi bem fiel.
    Bjs

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  3. Blogueira, se informe melhor. Margaret Atwood é uma das escritos mais aclamadas de sua geração. Seu reconhecimento perante a comunidade literária vem de anos. Inclusive ela ganhou um dos prêmios literários mais importantes do mundo, o Man Booker Prize. A diferença é que só agora ela caiu no mainstream...Inacreditável!!!

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    1. Oi meu anjo, se você leu o texto todo, nós citamos justamente isso: (...) Por fim, recomendo a obra muito satisfeita com o que li sobre Margaret Atwood, uma autora que está na estrada há muito tempo (...)"

      Beijos,

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  4. Olá!

    Sério, essa leitura foi maravilhosa! Muito obrigada pelo livro e espero que você veja a série, recomendadíssima!

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  5. Olá, tudo bem? Não conhecia este livro, mas parece ser uma estória bem interessante. Adorei saber que tem série, e que bom que a autora esteve presente durante a produção, acredito que assim tenha ficado mais parecida com o livro.

    Beijos,
    Duas Livreiras

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  6. Oi,
    Tudo? Confesso que sou muito curiosa a respeito das obras dessa autora, pelo que leio devem ser bem elaboradas e nos deixam pensando depois de ler. Ainda não li nem vi a adaptação do conto da aia , estou criando coragem,legal saber que tem mais uma dela quem sabe vejo essa antes. Adorei a dica. O nome da série na netflix é o mesmo do livro? Dica: Faço isso lá no blog e gosto quando vejo em outros nas postagens assim deixar o trailer da série sabe ela atiça a curiosidade do pessoal.
    Beijos
    Raquel Machado
    Leitura Kriativa
    http://leiturakriativa.blogspot.com.br

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  7. Olá!
    Eu não conheço a obra dessa tão aclamada autora. Fiquei super interessada e vou pesquisar na Netflix e ver se me conecto com a trama.
    Adorei a dica!
    Beijos!

    Camila de Moraes

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  8. Eu ainda não li O Conto da Aia e tenho muita vontade de ler, eu não conhecia esse livro e achei muito interessante a premissa dele. Sobre a linguagem culta nesse livro eu não me incomodaria por ser a linguagem da época, só me incomoda quanto livros contemporâneos exageram (claro que eu amo um livro bem escrito, mas tem autor que parece que coloca uma linguagem exageradamente culta para parecer mais inteligente).

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  9. Na minha opinião é importante que a linguagem reproduza o tempo da história, por isso não me incomodo com a linguagem mais culta. Só assim passará veracidade.
    Bjs, Rose

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  10. Ana, parabéns por esta resenha incrível que dá uma dimensão na medida certa do que é este livro. Eu gostei muito da capa, ainda não li nada da autora Margaret Atwood, um ponto que sempre me chama a atenção em algumas obras é o fato delas serem escritas muito tempo atrás e os temas abordados terem tanta sinergia com o momento atual, o que me faz crer que alguns escritores estão realmente à frente do tempo em que vivem.

    Bjo
    Tânia Bueno

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  11. Oi. Da autora, eu li O Conto da Aia e este está em minha lista de leitra, confesso que já estou na série e estou amando, estou a achar que essa é o tipo de autora que todos deveriam ler.

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  12. Olá Ani, ainda não tive chance de ler nada da autora, mas estou morrendo de vontade de ler esse e o Conto da Aia, pela sua resenha parece que o enredo foi muito bem construído deixando esse mistério no ar *-* Adorei a dica.

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  13. Olá, essa obra está fazendo sucesso, e eu estou com certa curiosidade de conferir também. Adorei a resenha, você me deixou curiosa mesmo, kkkk

    Abraços

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  14. Oii! Eu tinha ouvido falar dessa história por causa da série adaptada e que foi lançada tem pouco tempo na Netflix. Eu não sabia que era sobre esse livro haha, achei a história bem interessante e envolvente, ainda mais por ser baseada em fatos reais. Adorei a sua resenha e espero conferir essa obra um dia, bjss!

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  15. Olá,

    A premissa desse livro e da série é muito interessante, no entanto não é o que estou procurando para agora, quem sabe no futuro né. Acho que será mais fácil assistir a série, não gosto muito de livro com escritas difíceis.

    Beijos,
    oculoselivrosblog.blogspot.com.br/

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